| Casa própria para quem constrói |
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| Escrito por João Fernandes | |||||||
| 26-Ago-2007 | |||||||
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Casa própria para quem a constrói
No momento em que escrevo esta mensagem, estou no avião, vindo de Portugal, onde, como vice-presidente do Sinduscon - Sindicato da Indústria da Construção Civil, fui representá-lo em missão oficial, liderada pelo governador Sérgio Cabral e composta por vários de seus secretários e diretoria da Firjan – Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro. A missão visava uma maior integração econômica entre o Estado do Rio de Janeiro e Portugal. Da minha parte, pude encaminhar a empresários portugueses informações sobre o momento atual e expectativas da Construção Civil no Brasil e, em particular, no Estado do Rio de Janeiro, onde a carência é de aproximadamente 720 mil moradias. Os projetos elaborados pelo Sinduscon mostram de forma detalhada imóveis de dois quartos, sala, cozinha e banheiro, pequenos e dignos apartamentos, a serem construídos em áreas também identificadas junto a estações de trem, metrô, principais eixos rodoviários. Esses imóveis terão preços e condições de pagamento compatíveis com a renda da maioria dos profissionais da construção civil, uma vez que a prestação mensal sobre a renda familiar varia de 17% a 22%, sendo que quanto mais baixo é o salário, maiores serão os subsídios oferecidos pelos Governos Federal e Estadual. Fui designado a transmitir essa informação aos investidores portugueses, mas não posso deixar de dividi-la com os nossos funcionários, em especial, aqueles que vivem em condições menos favoráveis e injustas, e que até então não tinham a oportunidade de conseguir a sua moradia. Perspectivas são boas para o setor Outro assunto que procurei mostrar foi a perspectiva da construção civil no Brasil. Desta vez, focalizando a construção de um modo geral, englobando toda a cadeia produtiva e os diversos tipos de construção destinados a todas as classes sociais, além de novos modelos de estabelecimentos comerciais, industriais, etc.As informações que prestei, muito simples, mostraram os valores atuais de financiamento da construção no Brasil, que representa apenas 2% do PIB (Produto Interno Bruto), enquanto que nos países vizinhos como Argentina (que passou por uma crise econômica pior do que a brasileira) a relação é de 4% do PIB; no Chile, 9%; no México, 14%; e, em Portugal, é de impressionantes 47%!Estes dados estatísticos, que são do conhecimento dos principais órgãos de informação no Brasil, mostram por si só a grande carência e o grande potencial da construção para os próximos anos. Normalmente, as pessoas não acreditam que estas projeções possam se concretizar, mas, pela primeira vez nos últimos anos, existem razões que nos levam a acreditar que agora é para valer. Vou enumerar algumas delas: até 2004, os bancos que emprestavam dinheiro para a compra da casa própria não tinham garantia de retomada dos imóveis, quando da inadimplência do comprador. Com a implantação da lei fiduciária, os agentes financeiros passaram a ter garantias e foram progressivamente aumentando o número de prestações que hoje já chegam a 20 anos e, brevemente, podem chegar a 25 anos, tal como acontece em países que têm regras e economia estáveis. Simultaneamente ao aumento progressivo dos prazos de financiamento, veio a redução da taxa dos juros. O resultado é que hoje se verifica no mercado uma concorrência entre os agentes financeiros, proporcionando uma redução da taxa de juros e a dilatação do prazo de financiamento. A oferta viabilizará a compra da casa própria pelas famílias que até pouco tempo atrás só tinham a oportunidade de sonhar e nada mais. A lei 11.124, aprovada em 2006, cria o Sistema Nacional de Habitação de Interesse Social e um fundo nacional de subsídio para as famílias de baixa renda, que ganham de um a cinco salários mínimos. Tais recursos virão do Governo Federal, Banco Mundial, além de contrapartidas dos estados e municípios que terão que se organizar para receberem os recursos da União. No primeiro momento, pretende-se criar projetos de habitação de interesse social junto aos corredores de transporte de massa. Mais tarde, por que não criar condições mais dignas de habitação em favelas, tornando-as bairros populares? Se os políticos quiserem, a engenharia consegue. Trabalho para todos Em função de todo este momento saudável que envolve a construção civil, as oportunidades de trabalho serão uma constante para profissionais especializados como carpinteiros, pedreiros – nossos grandes alicerces, com quem temos a honra de dividir as missões do dia-a-dia . O momento também é especialmente importante para todos os outros profissionais ligados à construção, como técnicos de construção, de segurança, de edificações, mestres, encarregados e até engenheiros. O treinamento, o controle de qualidade dos serviços e da segurança no trabalho já são para nós uma nossa constante. Tenho a certeza de que estaremos sempre nos aprimorando como profissionais cada vez mais qualificados. Sentimos orgulho de pertencer a este setor de atividade que tem sido relegado, mas que vê condições de proporcionar dignidade às famílias, seja através da possibilidade de gerar trabalho permanente, seja ajudando a realizar o sonho de aquisição da casa própria. João Fernandes
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| Atualizado em ( 03-Out-2007 ) | |||||||
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